Tuesday, August 26, 2008

Mafaldinha

A Mafalda é uma companhia perfeita. Tirinhas de cabeceira. ô mulherzinha arretada...
A Lígia querida me emprestou a Mafaldinha francesa e eu amei. Merci.

Monday, August 25, 2008

Num domingo preguiçoso, esparramada no sofá e zapeando a TV. Me deparei com uma senhora simpática de cabelos branquinhos. Ela dizia assim: "Beleza não é luxo, é necessidade."Achei interessante e depois fui me dar conta que era a entrevista da Adélia Prado. Concordei com ela em quase tudo que disse, principalmente na parte da beleza no cotidiano, nasimplicidade da vida.

É assim mesmo. Mesmo que às vezes, na maioria delas, a gente não se dê conta dessa vidinha que nem é tão mais ou menos assim.

Beleza é quando eu vejo meus amigos rindo comigo, rindo das besteiras que falamos. Beleza é acordar cedinho e ver o bilhete da minha mãe: "não isquesi" em cima da minha marmitinha. Beleza é ver a Bianquinha com os olhinhos brilhando: "Meu pai me deu esse tênis." Beleza é receber telefonema de quem não te viu no final de semana, mas pensou em você: "beijo beijo beijo, smack smack, smack."Beleza é usar a tecnologia a nosso favor. Beleza é honestidade. Beleza é carinho. Beleza é música que toca a alma da gente. Beleza é palavra sem frescura, é simplicidade na escrita. Beleza é pintar a unha de vermelho, de preto, de roxo, de azul, de amarelo, de branco, de base. Beleza é meu peixinho, que briga comigo quando vou dar banho, mas que fica ainda mais lindo quando tá numa casa limpinha. Beleza é olhar os quadros do Klimt, da Tarsila, da Milhazes, do Turner e imaginar que aquele pôr-do-sol que ele pinta tá disponível pra todo mundo ver. Beleza é o mar, que me faz tanta falta. Às vezes quando olho pra ele penso que é impossível acreditar que Deus não exista. Beleza é abrir meu computador e ver que a tela de fundo é a foto do meu aniversário: Eu no meio, abraçada por Roberto e Renatinha. Beleza é firmar laços com quem a gente gosta. Beleza é minha vó rindo da palavra que falou errado: "ele é tenente generente". Beleza é ver que o tempo tá passando e que apesar de todos os medos e ansiedades, eu estou muito mais bonita hoje.

Friday, August 22, 2008

Como sempre, às vezes a música fala por mim. Acho que a letra a seguir cabe perfeitamente pra hoje, 22 de agosto de 2008.

Eu me acerto - Zélia Duncan

Não pensa mais nada
No final dá tudo certo de algum jeito
Eu me acerto, eu tropeço
E não passo do chão

Pode ir que eu aguento
Eu suporto a colisão
Da verdade na contra-mão
Eu sobrevivo

E atinjo algum ponto
Eu me apronto pro dia seguinte
Escovo os dentes
Abro a porta da frente
Evito a foto sobre a mesa
E ninguém aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma.

Thursday, August 21, 2008

Bukowski, Lígia F. Telles, Antes do pôr-do-sol... Tudo nada caído.

A gente troca tanta coisa boa... Há mais ou menos 5 meses eu conheci um dos caras mais legais que pode passar na vida de alguém. A gente se vê todos os dias, menos nos finais de semana e a cada dia nossa relação se torna mais querida. O mais legal de uma amizade sincera, gostosa, divertida, que entende o outro, que dá e ouve conselho, é o modo como ela vai se construindo, vai tomando liberdade... e quando a gente vê, quer contar rapidinho as novidades da vida um do outro. Não temos o mínimo pudor em falar das coisas mais bizarras e sacanas. Confiamos um no outro para os segredos mais pesados e os mais leves. Dicas de leitura, de filme, de sexo.
É uma amizade em que não cabe outra coisa senão amizade mesmo.
É bom demais olhar pelo vidro e te ver concentrado, pensando, com as mãos no queixo, trocando as palavras no computador mesmo antes de elas fazerem sentido...

ô coisa boa ter te conhecido, querido. Sabe quando a gente deseja toda sorte, todo amor, toda alegria do mundo pra uma pessoa? - tá eu poderia ficar horas escrevendo uma lista de nomes para os quais eu desejo tudo isso - você, redator preferido, está entre elas.

Leitura e dica do dia: O homem - de Charles Bukowski.

Desculpa aí...

Umas conversinhas no MSN são suficientes pra eu ganhar o século. Tô me sentindo... Como este é meu diário eletrônico, não pude deixar de colocar elogios tão tão tão... aqui.

Jan diz:
só pq sou loira, alta e de olhos azuis?
Querido diz:
isso é um excelente começo
Querido diz:
mas vc é linda pq tem uma pele de alabastro
Querido diz:
um rosto de musa do botticelli
Querido diz:
o corpo de um degas
Querido diz:
e o coração maior do mundo
Querido diz:
e tudo forma um conjunto harmônico
Querido diz:
proporcional
Jan diz:
vou ter que publicar isso
Querido diz:
como uma deusa
Jan diz:
me desculpe
Jan diz:
mas vou ter
Querido diz:
como assim publicar isso?
Jan diz:
isso tem que estar na primeira página dos jornais
Jan diz:
das revistas
Jan diz:
e dos livros de arte
Querido diz:
talvez
Querido diz:
pq só o fato de estar em você
Querido diz:
já é um grande meio de divulgação
Querido diz:
basta te olhar pra ter certeza de todas essas coisas
Jan diz:
vais ganhar muito dinheiro com essa declaração
Jan diz:
rsrs
Jan diz:
ok. ja que nao me deixa publicar, vou copiar no meu caderninho
Querido diz:
q é melhor q qq jornal
Querido diz:
em todo o caso
Querido diz:
entrego todo o dinheiro q possa vir a ganhar com essa declaração
Querido diz:
para o Institute Tendresse
Jan diz:
ótimo :)

obs. O nome do querido foi preservado. Por pura timidez.

Monday, August 18, 2008

Presentes

Num desses acasos da vida, o Cristian apareceu pra ser meu companheiro de aventuras. (Lembrei do slogan do Toddynho e acho que cabe perfeitamente aqui - já que eu adoro Toddynho e adoro o Cris também.) Pois bem, ele é tão legal, que ao assistir a palestra da Adélia Prado pensou: "Tenho que dar um livro autografado pra Janzinha também. Talvez ela não tenha outra oportunidade." Na dedicatória da Adélia tá escrito assim: "Para Janete, que essas palavras te alegrem". Hoje uma tristeza de cansaço bateu em mim. Uma dessas tristezas que às vezes vem dar um trabalhinho extra pra minha terapeuta. Daí eu não tive dúvidas, abri o livro e o primeiro poema estava lá, pra me fazer companhia. Uma linda companhia, não tão boa quanto a do Cris, mas linda também.

Então, Janete, como escreveu Adélia: "Mulher é desdobrável. Eu sou."


Com licença poética - Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Bye bye saudade

Nós dois cantando, no carro:

E no meio de tanta gente eu encontrei você
Entre tanta gente chata sem nenhuma graça,
Você veio
E eu que pensava que não ia me apaixonar
Nunca mais na vida
Eu podia ficar feio só perdido
Mas com você eu fico muito mais bonito
Mais esperto
E podia estar tudo agora dando errado pra mim
Mas com você dá certo

Por isso não vá embora
Por isso não me deixe nunca nunca maaaais
Por isso não vá, não vá embooooooooora
Por isso não me deixe nunca nunca mais

Eu podia estar sofrendo caído por aí
Mas com você eu fico muito mais feliz
Mais desperto
Eu podia estar agora sem você
Mas eu não queeeero, não quero

(Não vá embora - Marisa Monte)

Friday, August 15, 2008

Frase do dia

Às vezes somos importantes na vida de alguém e nem nos damos conta.

Caramba.

Wednesday, August 13, 2008

il faut avoir du courage

Não suporto cara metido a gostoso. Que chega, dá em cima, te devora com o olhar, fala com sotaque paulista da Mooca, diz que você vai ter a melhor noite da sua vida se passar com ele, aproveita pra tirar casquinha sempre que vem te cumprimentar, se acha o melhor diretor de arte de todos os tempos, finge saber francês porque "acha sexy" (e coloca tudo no tradutor on-line), conhece todas as baladinhas de playboy da cidade e quando você dá um fora super educado, ele simplesmente não te olha mais na cara.

Ô povo besta.
Por que eu volto sempre pro passado, não exorcizo esses fantasminhas medíocres e que eu ainda dou tanta importância? Sei que minha cabeça não tem gavetas que eu possa trancar os sentimentos nelas e jogar as chaves fora. Mas eu queria.

Tantas palavras, tantas promessas, tanta desilusão que chega a doer, cansar. Tudo tem sido solto, jogado, só "quando dá".

Gramáticas modernas do meu lado, garrafinha de água, muito post-it esparramado pelo computador, folder, anúncio, prazos impossíveis, job job job. De alguma maneira, mesmo torta e totalmente instável, essa rotina pesada tem sido um escape perfeito. Até onde der.

Essa semana fui pra USP. Fechar ciclos. Peguei meu certificado, que vale como diploma. Oficialmente formada em letras. E agora, José? E agora, Janete?

Monday, August 11, 2008

Nesse último domingo foi dia dos pais e seria aniversário do meu pai também. Como sempre acontece nessas datas, tento me lembrar de coisas bacanas que ele tivesse feito. E na boa, tava dificil de me lembrar. Daí ajoelhei, juntei as mãos e rezei em frente à vela acesa. Com a cabeça abaixada, olhei pro piso vermelho do meu quarto e me lembrei: meu pai fez essa casa. Com as próprias mãos. A casa onde eu sempre morei.

Daí dei um sorriso. Agradecendo.

Monday, August 04, 2008

Nesse final de semana várias cenas bonitas aconteceram. Primeiro porque pintei minhas unhas de vermelho Carmim. Pra muitas mulheres isso pode não significar nada, pra mim significa muita coisa. Pintar as unhas de vermelho forte me faz lembrar que eu cuido de mim.

Depois veio a primeira ida ao estádio. Corinthians e Criciúma. 0 a 0. Pois é, meu primeiro jogo no estádio e eu não senti a emoção de gritar gol, até senti mas o juiz anulou, humpf. Mesmo que o Corinthians não tenha jogado nada, mesmo não poder comemorar um gol, mesmo assim foi ótimo. Primeiro porque foi a primeira vez, segundo porque tive a companhia do Cris, um querido. Merci merci.

Ainda teve pintura do Matisse - merci merci. Teve leitura de livro infantil predileto. Teve carinho e respeito.

No domingo teve fé, teve foto, teve lembrança, teve reza.
Enfim, muitas coisas me tocaram nesse finde. Mas flagrar as mães de mãos dadas no metrô, foi sem dúvida a cena mais bonita do final de semana.