É muito injusto mesmo. Vem um infeliz numa moto, para na minha frente e diz: "Ou entrega a bolsa ou leva um tiro na cara". Me xingou, me empurrou e levou boa parte dos meus segredos.
Também, quem manda carregar os segredos dentro da bolsa?
Vamos lá, pra não esquecer que é tudo meu, por ordem de importância:
- Meu caderno secreto;
- Minha bolsa exclusiva que a Má trouxe de Londres pra mim;
- Meu amuleto que a Eva me deu, com cheirinho e a inicial do meu nome;
- Minha carteira rosa e japonesa (com documentos e cartões, inclusive a carteirinha da USP que não vou poder tirar outra pois não sou mais aluna);
- Meu celular corinthiano roxo, um sonho, com fotos de momentos incríveis e mensagens muito muito íntimas;
- Meu radinho, há tanto tempo comigo;
- Meu nécessaire da Betty Boop que eu ganhei da Fran, com minhas maquiagens queridas e meus remedinhos;
- Meu pendrive novinho com textos e fotos;
- Minha jaqueta roxa, super prática;
- Minhas chaves, com os meus chaveiros, com meu chaveiro de coração partido que encontra a outra metade;
- Minha agenda que comprei semana passada, pra eu não mais me esquecer dos compromissos;
- Minha marmitinha.
Pois é, cabe tudo isso na bolsa de uma mulher. O infeliz só me deixou com a sombrinha porque ela voou enquanto eu puxava minha bolsa. Depois de tudo isso, ainda tenho que agradecer por não ter tomado um tiro e ficado paraplégica. E ainda tem povo que fala mal do Luciano Huck, com suas "memórias quase póstumas". É invasivo e revoltante. Demora um tempo, óbvio que passa, mas é muita maldade.
Aqueles sentimentos que estavam ou estão no meu caderninho de peixe em homenagem ao Miguel, são todos meus. Aquelas frases, aquelas declarações, aqueles desabafos, aqueles corações, flores e luas, tudo, tudo muito meu.