Num desses acasos da vida, o Cristian apareceu pra ser meu companheiro de aventuras. (Lembrei do slogan do Toddynho e acho que cabe perfeitamente aqui - já que eu adoro Toddynho e adoro o Cris também.) Pois bem, ele é tão legal, que ao assistir a palestra da Adélia Prado pensou: "Tenho que dar um livro autografado pra Janzinha também. Talvez ela não tenha outra oportunidade." Na dedicatória da Adélia tá escrito assim: "Para Janete, que essas palavras te alegrem". Hoje uma tristeza de cansaço bateu em mim. Uma dessas tristezas que às vezes vem dar um trabalhinho extra pra minha terapeuta. Daí eu não tive dúvidas, abri o livro e o primeiro poema estava lá, pra me fazer companhia. Uma linda companhia, não tão boa quanto a do Cris, mas linda também.
Então, Janete, como escreveu Adélia: "Mulher é desdobrável. Eu sou."
Com licença poética - Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou: vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
1 comment:
Eu adoro Toddynho, adoro aventuras, adoro a Adélia Prado... e adoro muito mais a Janzinha, um dos acasos mais felizes da minha vida.
E quando eu sentir saudades, vou ler esse poema. Será uma companhia linda. Não tão linda quanto à da Janzinha, mas linda também.
Post a Comment