Eu continuo aprendendo francês, não mais ensinando. Continuo adorando Chico Buarque e achando Gael Garcia Bernal cada vez mais lindo. Continuo indo ao cinema, mas bem menos do que quando ia com você, cada vez mais interessada por artes plásticas, adorando mousse de maracujá. Continuo adorando falar no telefone, mas troquei de celular. Continuo inconstante, triste e alegre ao mesmo tempo, continuo loira, branca e magra. Continuo com olhos medrosos e profundos, esperando por alguém que ainda queira descobrir o que eles significam no final de uma bifurcação... Acho que não mudei muito desde a última vez que nos vimos, quer dizer, acho que em algo eu mudei, tenho me esforçado ao máximo para não magoar as pessoas. Com o trabalho e a faculdade, fica difícil ter tempo sobrando, ainda mais em final de semestre, mas tenho que confessar que eu não consigo mais ficar em casa como quando a gente estava junto. Agora, estar em um boteco tomando cerveja (não necessariamente cerveja) com meus amigos está entre as minhas atividades favoritas. Filosofar sobre a vida, escutar música e questionar o porquê da existência também fazem parte da minha rotina. E parece que essas coisas vão permanecer pra sempre. Ah, sei que é ultrapassado, mas sou fã de Sartre e de sua filosofia existencialista. Aliás, ainda vou trabalhar a questão da linguagem pro Sartre e pro Camus. Nem que para isso tenha que ser minha própria orientadora. Tento ao máximo não mais desprezar aqueles que me querem bem. Às vezes é impossível não magoar as pessoas. Cansada de não ser levada a sério pelas pessoas que não mais me gostam. Talvez ainda seja um pouco relapsa com algumas pessoas que me querem bem, mas tenho plena consciência da importância delas em minha vida. Não tenho mais suportado andar pela Paulista e ver tanta desigualdade. E enquanto eu estou aqui, escrevendo essas linhas, crianças estão assaltando, levando tapa na cabeça e prometendo matar a mãe de algum policialzinho qualquer que pensa que é o “todo poderoso". Não consigo entender a minha total imparcialidade com relação à yoga. Deus do céu, tô pra começar esse negócio há séculos e não começo. Isso é péssimo. Igual à minha aula de violão. Igual à minha aula de inglês. Igual à minha aula de francês. Igual à minha aula de História da Arte. Elas não saem do papel, não saem do plano das idéias. Ficam lá, todas no sublime e no transcendental. Poesia demais pra pouca verdade. Ficam mesmo é no ócio, como eu teimo em deixá-las... E só depois vou me dar conta...
Um beijo, com saudade,
Janete
2 comments:
é. essa é a minha irmã. linda e loira (mas inteligente, claro)
Sou sua amiga-irmã. E com cada vez mais mel pra você...
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